EB23 Correlhã Campeã Nacional

Arquivo, Imprensa — By on 27/05/2010 3:44

CORRELHÃ LEVOU A TAÇA

A casualidade encheu a Final Nacional de O JOGO nas Escolas. Pedro Emanuel apadrinhou o evento seis anos depois de ser campeão europeu pelo FC Porto e a escola vencedora dá lições de vida…

A EB 2/3 da Correlhã, de Viana do Castelo, é exactamente igual a tantas escolas do género que participaram na primeira edição do torneio de O JOGO, mas a equipa que venceu ontem a final nacional disputada no Vitalis Park, no Porto, era constituída por quem se esforça para ser um campeão na vida e acabou a sagrar-se campeão dentro das quatro linhas. Alunos com dificuldades de aprendizagem uniram-se com laços tão fortes para vencerem etapa a etapa. O sonho começou com uma ida à praia e vai custar ao professor Nuno Redondo um jantar numa pizaria junto à EB 2/3 da Correlhã. A taça foi-se embora numa carrinha velha de sonhos novos e reforçados.

A partir de ontem, Correlhã rima com campeã. A EB 2/3 da Correlhã, de Viana do Castelo, venceu o I Torneio O Jogo nas Escolas, cuja Fase Final Nacional se disputou ontem no Vitalis Park, na cidade do Porto. Para estes jovens do Minho, tudo começou com uma brincadeira, mas as coisas foram-se tornando mais sérias à medida que as etapas iam sendo ultrapassadas. “Quem não gosta de ser campeão nacional?”, questionou Nuno Redondo, professor de Educação Física que chamou a si a responsabilidade de organizar uma equipa da escola onde é docente. “Não foi fácil e foi tudo feito um pouco à pressa”, disse. Um dos aspectos que diferencia estes jovens da Correlhã dos outros das demais escolas que participaram no torneio tem que ver com o facto de frequentarem o curso de Educação e Formação, virado para alunos com dificuldades de aprendizagem, que, por isso mesmo, são avaliados segundo parâmetros distintos. Seguindo a máxima de querer é poder, a equipa da Correlhã deu uma lição de desportivismo, e os seus atletas festejaram o título como verdadeiros campeões, com gritos de “Campeões, allez”, à medida que a taça passava de mãos em mãos. Já Nuno Redondo assumiu o papel de verdadeiro “manager” desta equipa. Para além das orientações tácticas, o professor, qual José Mourinho, não se esqueceu da questão motivacional. Para isso, foi traçando vários objectivos ao longo da prova. “Na primeira fase, disse-lhes que, se ganhassem um jogo, poderiam passar um dia na praia. Agora ficou acordado que, se chegássemos às meias-finais, eu pagaria um jantar.” E como o prometido é devido, Nuno Redondo lá teve de puxar os cordões à bolsa, pois mesmo que se quisesse esquecer, não o conseguiria. “Ó stôr, já levantou dinheiro?”, perguntou um dos jovens ao mesmo tempo que exibia com orgulho a medalha ao pescoço. Antes do jantar, entretanto marcado para uma pizaria junto à escola, a viagem de regresso prometia novas peripécias. “Viemos numa carrinha antiga e com pouco gasóleo. Está estacionada longe e vamos ver se conseguimos chegar a casa”, disse o professor com a certeza de que a jornada vivida permanecerá durante muito tempo na memória de todos.

Extracto «Jornal O Jogo» nº95 Ano 25º de 27-05-2010, por José Lopes

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